Cenários

Noite de Verão, céu estrelado, brisa mais que discreta. Um alpendre e umas escadas. Ambos poisos momentâneos de duas vidas. Separados q.b. por muitas planícies, muitos montes, muitos vales, por rios, por estradas, por cidades, por pessoas. E ainda assim, ligados durante longos e agradáveis instantes pela mão moderna do homem. Ou será pela mão de Deus?

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Isto aconteceu mesmo?

O fantástico da vida é termos amigos que nos conhecem bem. Muito bem, até. Há tempos (sim, que isto começa a ficar longínquo, parecendo que não) no meio de uma conversa banal, dizia a uma amiga que tinha conversado um par de vezes com uma pessoa. Parou-me logo e, sem mais demoras, atirou-me o seu sentir à cara: aí há gato. Não havia gato nenhum, naquela altura. Motivos absolutamente nenhuns para fazer filmes. E pedi-lhe que não os fizesse. Ok, a minha amiga conhece-me bem, e sabe que eu me poderia deixar entusiasmar. Mas imaginaria ela o resto? Que algo tão pouco possível acontecesse? Se nem eu próprio tinha intenções de imaginar sequer o que aconteceu, teria ela? Conhece-me assim tão bem, ou isto estava mesmo destinado a acontecer? Será que estava mesmo previsto o céu estrelado de uma agradável noite de Verão juntar gargalhadas e mimos vocais de dois seres até então quase desconhecidos? O que caracteriza o Verão é o mês de Agosto. É o seu expoente máximo. Por isso este espaço tem o nome que tem. Porque foi em Agosto. Não sei nem julgo relevante lembrar-me do dia exacto... mas Agosto despertou paixões. Ou se não despertou, provocou sentimentos jamais pensados. Estamos a caminho de Outubro e ainda hoje... olho para trás e penso... isto aconteceu mesmo?

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Porquê Reticências de Verão

Num texto, as reticências levam à dúvida. À incerteza do que vem a seguir e à esperança em ler algo que nos satisfaça. As reticências provocam curiosidade, por não escarrapacharem tudo de um momento para o outro. Convidam à calma, à paciência e ao deleite. Porventura são a resposta quando a única resposta espectável não está no nosso horizonte. São a resposta quando tudo o resto teima em não se juntar para afirmar categoricamente as ideias. No fundo, pôr reticências é deixar as coisas fluir e desenvolver-se por si, até que um ponto, final, de interrogação ou de exclamação se imponha.
Tudo no Verão porque a mais bela estação tem esta capacidade de provocar em nós reboliços interiores sem igual. Leva-nos a emoções fortes, à alegria, à boa disposição. No Verão tudo é bonito e contribui para o bem-estar. Sendo apenas sincero, honesto e verdadeiro, é justo dizer que foi no Verão que os sentidos se despertaram. Agora vem o Outono e as outras estações. Mas graças ao Verão, todas elas se tornam bonitas.

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Escolher a ideia certa

Perder horas de sono ou investir na construção da felicidade?

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Bela vista

Sentir alguém a menos de cinco centímetros de nós é muito bom. Estar com alguém num local bonito num fim de tarde ensolarada de Verão também é muito bom. Deliciar-se, ao lado de alguém, com uma paisagem deslumbrante sobre uma grande metrópole, é igualmente muito bom. Quase tudo é perfeito. Para o cenário não ter falhas, faltaria apenas que os nossos braços envolvessem, carinhosamente claro está, o alguém que está a cinco centímetros de nós a olhar para ponto incerto. Só isso. Apenas e somente isso. Sem palavras, quantas vezes desnecessárias. Sem olhares, até. Tão somente aquilo que vulgarmente se poderia chamar de... abraço. Se uma imagem vale mais que mil palavras, então um gesto carinhoso vale por mil imagens.
Tudo isto para o cenário ser perfeito. Mas para alcançar esse patamar, seria preciso atrevimento. Um atrevimento porventura muito desejado de parte a parte, mas que outro sentimento qualquer simplesmente impede. Por uma questão de bom senso. Por uma questão de educação... e para que o futuro possa ser ainda mais saboroso. Cenas imperfeitas também proporcionam sonhos bonitos a imaginar o que poderia ter sido feito para tal. E assim vamos nós. Uma reticência no horizonte de telhados da vida. Sempre com o rio ali ao lado. O tal calmo e sereno rio.

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Muito rapidamente...

Isto existe para que eu possa falar das coisas que me vão no coração, sem me preocupar com quem possa ler ou tirar conclusões. Sem me preocupar com o que possa dizer ou o que deva manter secreto. Dentro dos limites do razoável, claro está.
Surge, ainda assim, uma pergunta que se impõe, e aí concordo convosco. Quem sou? Como é que hei-de ser chamado aqui? Bem... façam de contas apenas que sou o "gajo das reticências de verão". Bora lá fazer simples. Para quê complicar?

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O que é que aconteceu?

Ora viva. Este blog é propositadamente de autor desconhecido. Tal como a estátua do poeta desconhecido, em Lisboa, que quase olha de forma sarcástica para a do grande Fernando Pessoa mesmo ali ao lado; também nós por aqui enviamos um olhar furtivo, e um piscar de olhos... ao verdadeiro escritor que se esconde por detrás disto.

A quem o acaso trouxer até aqui... leiam, e que vos faça sorrir.

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