Foi assim

É prova de alguma hipocrisia eu dizer agora que preferia que as coisas não tivessem acontecido. É hipocrisia porque aconteceram, passei por elas, e senti-me muito bem. Mas ainda assim, é verdade que preferia que as coisas não tivessem acontecido. Eu estava a limpar a minha cabeça de incómodos recentes, estava finalmente a prever tranquilidade emocional, estava a conseguir escapar dos bichinhos que corroem por dentro. E puf. Aconteceu. Foi assim. Cruzaram-se vidas e voltou o reboliço. Voltei a sentir aquelas pulgas. Voltei a sentir ansiedade. E gostei, claro que gostei. Agora digo que gostei, mas preferia que não tivesse acontecido. É que ter que esperar por uma interminável indecisão é maçador. Se o final for feliz, terá valido a pena. Muito, mesmo. Terá sido a vitória merecida e saboreada, apesar dos obstáculos de percurso. Mas se o final não for feliz, ou não estiver à vista, então só poderá ter sido injusto. Preferia que nada tivesse acontecido pela injustiça de ter que prestar contas ao meu coração e à minha mente por algo que eu, mais do que não prever, não estava a procurar. A diferença, que faz romper com o passado, é que por agora a poesia, a sinceridade e principalmente a partilha... são os elementos que melhor definem o estado das coisas. Soa tudo bem. Parece tudo bater certo. Tudo encaixa perfeitamente. Tal como duas mãos se fundem maravilhosamente bem uma na outra. Parece tudo bater certo, oh se parece. De tanto bater, acabo por apenas conseguir ouvir um profundo e ensurdecedor silêncio. Um profundo silêncio que, porventura, só um olhar cúmplice saberá quebrar. Por tudo parecer bater certo e não bater, é que eu preferia que nada tivesse acontecido. Se o mal está feito, ou se é o bem que está feito, só Um sabe. Mas que está feito, lá isso está. Não há volta a dar, há que aceitar, e desejar que a esperança morra rápido e dê lugar à felicidade. Até lá, paciência, foi assim que tudo aconteceu.

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Ansiedade

Ontem pedia a um amigo que me incluísse nas suas orações. Por sabedoria, por discernimento... por paciência também. Tem de ser. Tem sempre de ser assim. Mas agora mais do que nunca.

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